900.000 azulejos para um novo terminal de cruzeiros

Os portos desempenharam desde sempre um papel vital no sistema de transportes internacional, mas têm vindo a ter uma maior importância desde a segunda metade do século XX com a rápida globalização e comércio mundial.

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Atualmente, os portos não são apenas um ponto de transferência entre os diferentes meios de transporte, mas também são centros logísticos das cadeias de transporte de passageiros e de mercadorias. Os custos elevados do porto e dos transportes poderão ser barreiras para o comércio. Mas, se o transporte for organizado eficientemente, será melhor.

O terminal do Porto de Leixões, em Portugal, inaugurado em julho de 2015, está localizado em Matosinhos. Este terminal foi construído especificamente para navios de cruzeiro. O novo edifício do terminal, concebido com o objetivo de relançar e impulsionar o turismo local e desenvolver o caráter urbano da localização, fica num cais com 340 m de comprimento e inclui um caminho de acesso pedestre para o público em geral e passageiros. O porto de Leixões é o segundo porto nacional mais importante em termos de tráfego de contentores e também desempenha um papel importante na nova estratégia comercial europeia.

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Do edifício principal, saiem três conexões importantes, numa área de cerca de 1.500 m2: o novo cais para navios de cruzeiro, o novo porto recreativo náutico para embarcações e o novo sistema rodoviário de acesso à cidade.

O edifício principal alberga o prédio da estação de passageiros, uma praça, uma galeria museu com laboratórios para promover o Parque de Ciência e Tecnologia do Mar da Universidade do Porto, um aquário, uma garagem subterrânea, salas de reuniões, um restaurante e um grande anfiteatro a céu aberto com uma vista sobre o cativante oceano.

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O plano urbano estende-se por um espaço público com cerca de 5 hectares e aproximadamente 19.000 m2 de área de construção, incluindo o porto e a extensão do cais, com o edifício localizado no final do cais. Este edifício foi projetado numa forma de uma espiral élica movida do nível do mar numa alternância contínua de superfícies cristalizadas e opacas para criar uma estrutura com 4 níveis. As formas sinuosas do novo edifício atraem visitantes através de uma espécie de força centrífuga que os leva ao grande átrio central, que é imbuído de luz filtrada, que se sente como uma viagem ao mar aberto.

O custo total do projeto foi de cerca de 26 milhões de euros, com um orçamento inicial de 28,3 milhões de euros. O projecto foi financiado pela União Europeia com o objectivo de impulsionar a economia local, que se baseia no tráfego marítimo e no turismo.

Mais de 4.000 toneladas de aço foram utilizadas para construir o terminal, bem como 20.000 m3 de betão, 6.700 m2 de vidro e 900.000 azulejos em seis formas diferentes. Este projeto ganhou o Prémio AZ 2016 (categoria internacional de arquitetura e design) em Toronto. O livro Terminal de Cruzeiros de Leixões, editado pelo arquiteto do projeto Luis Pedro Silva, foi publicado mundialmente em março de 2016.

O gestor do projeto para a construção principal do novo porto do Terminal de Cruzeiros de Leixões queria instalar telhas cerâmicas de diferentes espessuras e formas nos muros de betão interiores e exteriores, e as telhas para a cobertura. Os ladrilhos precisavam de ser colados sem betumação com uma junta aberta de 2 a 3 mm. Fatores locais, como exposição ao ataque de cloreto da água do mar, variações de temperatura e expansão térmica tiveram que ser incorporados no projeto.

Era necessário identificar uma solução que permitisse a instalação de 900 mil azulejos em seis formas diferentes. A fixação apresentava dificuldades consideráveis, dado o tipo de base e o acesso desconfortável das superfícies verticais. Isso significava que os aplicadores poderiam cobrir apenas 5 m2 por dia/pessoa. A combinação de desafios levou a uma série de questões de gestão de custos para acompanhar o orçamento da construção e manutenção.

Após a análise das condições da base (cura do betão, testes de arrancamento, resistência à compressão), foi definido um método de aplicação. Primeiramente, incluiu o jato de água ou de areia para eliminar todo o pó e qualquer vestígio de agentes libertados da base, bem como a remoção mecânica de todas as saliências e imperfeições devido à cofragem para obter uma superfície lisa, adequada para promover a colagem completa dos azulejos à base, que deveria estar perfeitamente seca.

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Os azulejos hexagonais de 15 cm de diâmetro, de espessura e forma variadas foram maioritariamente utilizadas para a parede exterior e interior. Elas foram colocadas sem argamassa, minimizando o uso de cola (que foi aplicado como agente de nivelamento) e também maximizando os efeitos tridimensionais e escuros. A aderência do cimento cola Technokolla ALL-9000 para o betão e os azulejos fundidos no local foi excelente, devido também ao fato não possuir deslizamento vertical.

No que diz respeito à colagem dos azulejos à parede, o procedimento foi o seguinte: Nivelamento muito leve com o Technokolla ALL-9000, aplicando-o com uma espessura mínima para evitar bolhas ou imperfeições na superfície da cola. Espalhamento da cola primeiro com uma espátula entalhada (4 a 5 mm), assegurar uma camada contínua e uniforme de cola (cerca de 2 mm de espessura) na superfície com uma espátula lisa. Aplicação da cola também nos cantos da parte de trás dos azulejos usando uma pequena espátula.

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Em seguida, a colagem (com a pressão devida) dos azulejos na base previamente nivelada. Os azulejos não foram colados juntos um do outro; foi assegurada uma distância mínima entre eles (2/3 aprox.). Através do uso de espaçadores. Qualquer excesso de cola nos bordos ou superfície dos azulejos foi removida com um pano embebido em álcool etílico quando o cimento-cola ainda estava fresco.

No que diz respeito ao procedimento de colagem no tecto, a Sika recomendou o mesmo procedimento de instalação descrito anteriormente, mas neste caso, ao cimento-cola ainda fresco foi capaz de suportar o peso dos azulejos desde que foram instalados numa superfície plana, ao contrário das instaladas nas paredes. Rasolastik, da Sika, um produto à base de cimento de dois componentes, foi utilizado nas rampas de acesso para peões do prédio ao mar – as áreas com maior exposição a cloretos.

O Porto de Leixões, parte da rede transeuropeia de transportes principais, serve como principal porta marítima para o Porto, um destino turístico popular – e para a região norte do país. No entanto, as instalações de cruzeiros do porto para navios e passageiros eram muito pequenas para acomodar o tamanho médio dos navios que atualmente são utilizados no mercado de cruzeiros. O projeto “Novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões” está a posicionar a região como ponto de partida para navios de cruzeiro internacionais e navios oceânicos de luxo, reforçando assim a indústria turística local.

Ao investir num terminal de cruzeiros completamente novo e em todas as suas instalações, o Porto de Leixões serve agora de centro para uma economia baseada num porto marítimo.

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